quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O meu nome é Francisco van Zeller...


"Não faço ideia de quanto ganhará por mês o sr. Francisco Van Zeller, presidente da CIP. Mas suponho que ganhará um pouco mais de 450 euros (pelo menos o fato com que apareceu ontem na RR deverá ter custado o dobro disso). E suponho isso porque o sr. Van Zeller quer agora voltar atrás com o que acordou na Concertação Social e impedir que o salário mínimo nacional aumente, como previsto, 25 euros este ano.

Argumenta o patrão dos patrões que a inflação não subiu e, assim sendo, quem recebe salário mínimo… ganhou, o que é um escândalo. Os patrões estão muito tristes por a inflação não ter, como de costume, subido, rapando os salários, valorizando-lhes os "stocks", diminuindo-lhes o que pagam em juros e rendas e multiplicando-lhes os lucros. E pretendem ser "indemnizados" pelos trabalhadores pelo facto de todos aqueles que mandaram para o desemprego terem deixado de consumir-lhes o que produzem. É um bom e sólido argumento. Quanto menos o sr. Van Zeller pagar a quem trabalha, maiores serão os seus lucros e, logo, mais próspero será o país do sr. Van Zeller. O país dos outros? Esse não é problema seu."

António Manuel Pina in http://codigo430.blogs.sapo.pt/

2 comentários:

Maria Filomena disse...

Charneca da Peralva - conheço essa aldeia...
Mas mudando de saco para mala, a respeito do assunto em epígrafe, tenho a dizer que fiquei furiosa quando assisti a entrevista desse senhor na TV....Realmente, é muita cara de pau dizer que 25€ irá mudar a vida dos patrões!!!!! É de perguntar mesmo, se ele, conseguiria viver com o valor do salário mínio...Esse senhor deveria trocar a loção pós barba para óleo de peroba. Porque??? Porque a cara de pau dele é das maiores que já vi.....É como dizem cá em Portugal: É preciso ter muita lata.... e ele tem até demais.....

Dylan disse...

As palavras do Eng. Van Zeller, Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, de que "os salários baixos são necessários para 25% das nossas exportações", opondo-se veementemente ao aumento do salário mínimo, é de quem fala de barriga cheia, pois não se encontra entre aqueles 300 000 trabalhadores que auferem 450 euros mensais.

O senhor saberá que a maior parte dos patrões portugueses tem uma baixa escolaridade aliada a uma ainda pior qualificação profissional? Não será isto o verdadeiro entrave ao desenvolvimento empresarial do mundo moderno e às consequentes exportações que tanto apregoa? No país dos patrões e dos doutores, é bom relembrar que o mero trabalhador é o dínamo de qualquer empresa, e também por isso, deve ser condignamente pago e motivado.

Travestido de "quadro superior", o patrão português almeja ser um empresário de sucesso - com um ar sério e a característica gravata da moda -, mas o que melhor consegue fazer é aumentar o fosso entre os salários dos trabalhadores e os de topo. Resquícios do Estado Novo onde faltam-lhes destreza, criatividade, inovação, e fundamentalmente, empatia.

http://dylans.blogs.sapo.pt/